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Agile & Customer Dev

Foi em 2004, quando Steve Blank lançou o livro “The four steps to the epiphany”, que foram lançadas as bases para o tão famoso movimento de startups que hoje existe. A partir da visão revolucionária desse professor universitário e serial entrepreneur californiano, Alexander Osterwalder e Ives Pigneur (Business model generation, 2010) propuseram uma nova maneira de gerar modelos de negócios em ambientes de grande incerteza. Um ano depois, Eric Ries resumiu todas essas ideias, tomando o conceito de pivotamento e o ciclo construir-medir-aprender como pilares do método Lean Startup , que dá nome ao seu aclamado livro.

O conceito introduzido por Blank, que permitiu o desenvolvimento de toda a teoria do Lean Startup, é chamado de Agile Customer Development.  Esse método tem como objetivo testar a aceitação de um produto ou serviço por parte do seu potencial cliente em ciclos iterativos curtos. Steve propõe esse modelo para reduzir os riscos associados à incerteza (que é a maior vilã para uma startup). Mas o que é afinal uma startup, para o primeiro homem a pensar no assunto?

Startup é uma organização formada para a busca de um modelo de negócios replicável e escalável.

— Steve Blank

Ou seja, o Uber não é mais uma startup, o Snapchat não é mais uma startup e o Facebook com certeza não é mais uma startup! Essas empresas já acharam seu modelo de negócio e estão prontas para replicá-lo e escalá-lo até o infinito e mais além. Para atingir esse estágio, Zuckerberg, Spiegel, Kalanick e Camp tiveram que aplicar (conscientemente ou não), o modelo de Blank, cuja ilustração segue abaixo:

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fonte: http://www.spikelab.org

Da mesma maneira que todas as metodologias de desenvolvimento ágil de software (Agile Development) se baseiam no trabalho em ciclos curtos, em contraposição ao clássico modelo cascata, o Customer Development é a reação ao falhanço do modelo tradicional de Business Plan quando aplicado a startups. O modelo de desenvolvimento em cascata falha por causa da rígida sequência linear de atividades, que afasta o planejamento da implantação, na ordem de meses.

modeloemcascata1

fonte: http://2.bp.blogspot.com/

As consequências deste modelo de trabalho são catastróficas, porque aquilo que o cliente quer no momento da implantação não corresponde àquilo que foi planejado no começo e muito menos àquilo que está de fato pronto para a implantação. Assim, perde-se tempo, dinheiro, recursos, empregos, vidas, o mundo acaba e por aí vai.

A grande sacada de Steve Blank foi perceber aquilo que o nascimento de uma startup e o processo de desenvolvimento de um sistema informático têm em comum: I-N-C-E-R-T-E-Z-A. Ele percebeu que a forma clássica de criação de negócios é análoga ao modelo cascata e é por isso que não resiste a ambientes altamente incertos.

business-process-analysis-and-design-importance-of-having-a-common-language-between-business-and-it-9-638

fonte: http://www.slideshare.net

O problema com o modelo acima é que a escala da empresa acontece antes de se lançar o produto no mercado. Ou seja, investem-se milhões de dólares com a formação de grandes equipes de vendas, marketing e desenvolvimento de produtos, esperando um retorno baseado em previsões de demanda feitas lá no começo, atrás de uma mesa num escritório. Quando essas previsões mostram estar longe da realidade, já não há tempo nem recursos para corrigir os erros cometidos ao longo de vários meses.

Percebendo isso, ele juntou a sua experiência empreendedora com a sua experiência em software para criar uma analogia, na área de negócios, para modelos como o Scrum:

ScrumMediumLabelled

São os ciclos iterativos de curta duração que permitem a um desenvolvedor conseguir rápido feedback sobre aquilo que está sendo construído e foi esse conceito que Blank usou para criar o seu modelo. Todos os quatros passos do Customer Development são ciclos destinados a captar a voz do cliente em relação a uma ideia de modelo de negócio. Quando o segundo passo, que é a Validação do Cliente, não tem sucesso (e não vai ter na primeira vez, nem na segunda nem na terceira), retorna-se ao ciclo de Criação do Cliente, onde se revê hipóteses, iterando sobre o trabalho já feito.

É por isso que a atual tendência de organização do trabalho em empresas de desenvolvimento de software conversa tão bem com os novos empreendimentos seguindo o Lean Startup. Há uma sincronização notável entre o paradigma atual da indústria de desenvolvimento informático e a nova forma de planejar e criar negócios. Talvez por isso (e não só pelo crescimento do uso de smartphones), as startups mais célebres sejam aquelas cujo produto é um aplicativo. É verdade que a velocidade de crescimento dessas empresas só foi possível graças às excelentes plataformas de comunicação que são os dispositivos móveis. Mas, assim como a popularização do computador pessoal não teria sido possível sem o desenvolvimento de sistemas operacionais centrados no usuário, também o uso de smartphones não teria crescido sem a aplicação de modelos de gestão da incerteza, tanto no nível econômico (Customer Development), quanto no tecnológico (Agile Development).

 


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